Voltar também é um ato de coragem
- espacostim

- 15 de abr.
- 1 min de leitura
Você já percebeu que nem toda saída é sobre ir, mas sobre o que nos faz voltar?
Eu nunca voltei a morar na casa dos meus pais depois dos meus 17 anos. Mas já voltei de outras saídas. Saídas de trabalho, de país, de ideias que um dia fizeram sentido.
Quando escolhi atuar em um centro universitário no interior, acreditava que estava ampliando o meu alcance, levando conhecimento a mais pessoas. E estava. Mas também estava me testando, entendendo até onde aquilo sustentava quem eu sou.
Minha primeira experiência fora do país foi breve, 60 dias na Espanha, em 1993. Eu buscava um mestrado, mas encontrei outras coisas pelo caminho. Diferenças culturais, saudade, e uma sensação silenciosa de não pertencimento. Voltei sem o curso, mas com perguntas que ficaram.
Anos depois, morei um ano e meio nos Emirados Árabes. Ali, as diferenças não eram apenas percebidas, eram sentidas em profundidade. Cada detalhe me colocava diante de mim mesmo. E, aos poucos, fui entendendo que não se tratava apenas de geografia.
Porque voltar nunca é só sobre o lugar. É sobre reconhecer valores, limites, desejos e, principalmente, quem estamos nos permitindo ser.
Alguns retornos parecem recuos, mas, na verdade, são reencontros. São pausas que revelam se estamos vivendo uma vida que faz sentido ou apenas seguindo caminhos que um dia escolhemos sem questionar.
Hoje, olho para essas saídas e retornos como parte de um mesmo movimento. Um movimento de construção, desconstrução e, sobretudo, de escuta interna.
E você, quando volta de algum lugar, volta para o mesmo ponto ou já não é mais a mesma pessoa?



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