Quando a dor não dói onde deveria
- espacostim

- 18 de mai.
- 1 min de leitura
Você já percebeu que nem toda dor começa no corpo?
Muitas vezes, ela surge antes, em silêncio. Aparece nas emoções engolidas, nos sentimentos adiados, nas conversas que nunca aconteceram. Mas seguimos. Trabalhando, produzindo, sorrindo, tentando funcionar como se nada estivesse acontecendo.
Vivemos em uma cultura que nos ensina a suportar. A seguir em frente. A transformar exaustão em mérito e silêncio em maturidade. E, pouco a pouco, vamos aprendendo a anestesiar o que sentimos.
A dor emocional raramente pede licença. Ela encontra caminhos discretos para existir. Cansaço constante, irritação, ansiedade, insônia, sensação de vazio. Até que o corpo, muitas vezes, passa a falar aquilo que a mente tentou calar.
Talvez o mais difícil não seja sentir dor, mas admitir que ela existe.
O espaço terapêutico junguiano nasce justamente para isso: acolher aquilo que foi deixado de lado dentro de você. Não para eliminar a dor rapidamente, mas para compreender o que ela tenta revelar.
Porque sobreviver não é o mesmo que viver com presença, equilíbrio e sentido.
E talvez exista uma pergunta que ainda insiste em permanecer escondida dentro de você:
quanto da sua dor hoje é, na verdade, uma parte sua pedindo para finalmente ser escutada?



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