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Contemplar sem culpa

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 13 de mai.
  • 1 min de leitura

Quantas vezes você se sentiu culpado por simplesmente parar e contemplar a vida? Existe um desconforto silencioso em apenas estar presente. O corpo desacelera, a mente encontra um raro instante de pausa, mas logo surge aquela voz apressada dizendo que deveria estar produzindo, resolvendo, entregando mais alguma coisa. Talvez seja justamente aí que mora uma das grandes armadilhas do nosso tempo. A ideia de que descanso precisa ser merecido o tempo inteiro. Então você lembra de tudo o que fez para construir equilíbrio. Trabalhou, reorganizou hábitos, cuidou da alimentação, do sono, da saúde física e emocional. Criou espaço na rotina para respirar. E, ainda assim, sente culpa ao olhar pela janela ou ao observar um gato espreguiçando sob o sol. Curioso como até a contemplação virou algo que parece precisar de justificativa. Mas talvez o gato ensine algo importante. Ele não pede permissão para existir no instante. Apenas ocupa o momento. Vida equilibrada não é ausência de movimento. Também não é uma produtividade constante. É saber alternar presença e ação sem transformar o descanso em dívida. E, quando alguém não consegue mais contemplar sem culpa, talvez o problema não esteja no tempo livre. Talvez esteja na forma como aprendeu a medir o próprio valor. No fim, fica uma pergunta árdua de ignorar: quando foi que descansar passou a parecer errado?


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