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Astúcia: virtude ou armadilha?

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 24 de abr.
  • 2 min de leitura

Quando eu penso na palavra astúcia, percebo que ela nunca vem sozinha. Ela carrega sentidos que se misturam. Esperteza. Sagacidade. Atenção ao detalhe. Capacidade de contornar situações. Mas também pode ser habilidade de enganar, de manipular, de obter vantagem a qualquer custo.

E então eu me pergunto junto com você: o que fazemos com essa habilidade?

Na Odisseia, Ulisses é o retrato dessa ambiguidade. Ele é astuto para sobreviver, proteger e voltar para casa. Basta lembrar do encontro com o Polifemo (ciclope, filho de Poseídon), quando a astúcia se torna a única saída possível. Ao embriagá-lo e enganá-lo para escapar da caverna, Ulisses não apenas vence pela força, mas pela inteligência. Ainda assim, é o propósito por trás dessa escolha que sustenta o sentido do seu agir.

Na vida contemporânea, eu observo como a astúcia muitas vezes escorrega para o excesso. Ela deixa de ser inteligência aplicada à vida e passa a ser um atalho para benefício próprio, mesmo que isso custe o outro. E, nesse movimento, algo se perde. Porque a mesma habilidade que nos ajuda a atravessar desafios também pode nos afastar de quem queremos ser.

Ao mesmo tempo, negar a astúcia não parece um caminho possível. Existe algo profundamente humano em saber ler o contexto, ajustar rotas, agir com inteligência diante do imprevisível. Sem isso, ficamos rígidos demais para viver.

Talvez o ponto não esteja em ser ou não ser astuto. Mas como e para quê usamos essa capacidade?

Eu sigo pensando que a astúcia, quando alinhada a um sentido mais profundo, pode ser uma aliada do nosso vir a ser. Mas, quando se desloca disso, facilmente se transforma em ruído, em desvio, em perda de direção.

E então te deixo com uma pergunta que também me acompanha: em quais momentos a tua astúcia tem se aproximado de quem você quer se tornar e em quais ela tem te afastado disso?




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