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Você ainda sabe contemplar?

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 29 de abr.
  • 1 min de leitura

Ser contemplativo é próprio do humano. Mas, se eu for honesta com você, talvez seja justamente isso que temos deixado para trás. A vida corre, nos puxa, nos atravessa. E, quando vemos, já passamos por tudo sem realmente estar em nada.

A dificuldade não está em viver. Está em pausar para perceber o que a vida oferece enquanto ela acontece.

Eu gosto de começar pelo básico, como quem reaprende a ver o mundo. E faço isso nomeando, com calma, cada gesto:

  1. Olhar é dirigir os olhos a algo.

  2. Ver é perceber pela visão.

  3. Enxergar é alcançar o que está ali, inclusive o que parece distante.

  4. Contemplar é outra coisa. É permanecer. É sustentar o olhar com presença, admiração e encantamento.

Percebe a diferença?

Não basta olhar, ver ou enxergar. Falta algo que não se mede em tempo, mas em qualidade de presença.

Talvez o começo seja simples. Eu começo por mim. Diante do espelho. Sem pressa. Depois, amplio. O entorno, os detalhes, as pessoas, o que antes passava despercebido. Aos poucos, algo muda. Não fora, mas dentro.

A arte nos ensina isso com delicadeza. Ana Mae Barbosa propõe que a experiência artística se sustente em três movimentos. Fazer, apreciar e contextualizar. Produzir, contemplar e compreender. Não é só sobre criar, mas sobre se permitir parar diante do que foi criado. É nesse intervalo que algo se revela.

Quando a gente contempla, a gente não só vê melhor o mundo. A gente se vê melhor nele.

E talvez a pergunta que fica seja simples, mas desconcertante.

Quando foi a última vez que você realmente parou para contemplar algo sem pressa?



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