O que realmente nos nutre
- espacostim

- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Março tem sido um mês curioso. Finais de semana estendidos, sair na sexta e voltar só na segunda. Eu percebo que, às vezes, fugir do trânsito não é apenas uma escolha logística. É também uma forma silenciosa de cuidar de mim mesmo.
Evitar o fluxo mais intenso, frequentar lugares fora de temporada, caminhar sem pressa. Pequenas decisões que parecem simples, mas que têm um efeito profundo. Elas diminuem o ruído e, quando o ruído diminui, algo dentro de nós começa a falar mais alto.
Sei que nem todas as pessoas conseguem fazer isso. A rotina, o trabalho e as responsabilidades nem sempre permitem pausas mais longas. Mas chega um momento da vida em que começamos a olhar com mais atenção para aquilo que fazemos. Começamos a nos perguntar se certas atividades realmente nos nutrem ou se apenas ocupam espaços vazios que temos medo de encarar.
Essa pergunta também aparece nos nossos relacionamentos. Nem todos são eternos. Alguns atravessam décadas e continuam fazendo sentido. Outros cumprem um papel importante em determinado momento e depois seguem seu próprio caminho, assim como nós seguimos o nosso.
Outro dia, em uma conversa em família, falávamos sobre os lutos que já vivemos e sobre as diferentes formas de lidar com a ausência de quem amamos. Em algum momento da conversa surgiu uma reflexão que ficou comigo.
Muitas vezes, o sentimento de perda não está apenas no que vivemos com aquela pessoa. Está, sobretudo, naquilo que ainda desejávamos viver com ela. Nos planos, nas conversas que não aconteceram, nos encontros que imaginávamos.
Quando compreendemos que tudo o que foi vivido permanece dentro de nós, algo começa a se reorganizar. A ausência deixa de ser apenas um vazio e passa a ser também memória, presença simbólica, continuidade.
Talvez seja por isso que as pausas sejam tão necessárias. Elas criam espaço para pensar sobre o que realmente importa, sobre o que queremos levar conosco e sobre o que já cumpriu seu papel na nossa história.
Eu tenho pensado muito sobre isso.
E você?
Se tivesse mais tempo para parar e refletir, o que descobriria que realmente nutre a sua vida hoje?



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