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Hospitalidade: o que ela revela sobre você?

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 1 de mai.
  • 2 min de leitura

Você se considera um ser hospitaleiro? Eu faço essa pergunta com frequência. E confesso que ela nunca vem sozinha. Ela puxa outra, inevitável. Como eu olho para quem chega? Para quem atravessa fronteiras, cidades e histórias?

Quando penso nas ondas de refugiados e imigrantes pelo mundo, não consigo evitar um exercício imaginativo. E se Telêmaco e Ulisses, da mitologia grega, viajassem hoje? Seriam acolhidos como foram na narrativa de Homero? Ou seriam vistos com desconfiança, mantidos à distância, reduzidos a uma condição que não conta suas histórias?


A hospitalidade não é apenas um gesto. Ela é um espelho. Revela quem somos quando o outro nos encontra.


Gosto de pensar que o valor do ser humano também se expressa na forma como recebe e na forma como se comporta diante de quem o acolhe. Há algo potente nesse encontro. Acolher o outro abre um espaço raro. Um espaço onde eu posso me reconhecer, me expandir, me humanizar. Não por aquilo que eu digo sobre mim, mas por aquilo que eu faço pelo outro.


Na Odisseia, quem mais me toca nesse aspecto é Eumeu. Ele acolhe Ulisses sem reconhecê-lo. Não há interesse, não há cálculo. Há um saber silencioso. Um cuidado que começa pelo corpo, mas não termina nele. Alimenta, abriga, escuta. Vai do visível ao invisível. Do necessário ao essencial.

E então eu volto para a minha própria experiência. Lembro do Projeto Rondon. Recordo o esforço das comunidades em nos receber com o melhor que tinham. A comida preparada com atenção, o cuidado com o espaço, a intenção de nos fazer sentir bem. Nada ali era excesso. Era presença.

E percebo que, muitas vezes, receber também exige coragem. Exige reconhecer o gesto do outro. Permitir-se ser cuidado. Valorizar o que foi oferecido.

A hospitalidade não está apenas em abrir a porta, mas em sustentar o encontro.


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