Discernir antes de decidir
- espacostim

- 20 de abr.
- 1 min de leitura
Eu parto de uma ideia que me acompanha há muito tempo: a reflexão nasce da nossa capacidade de discernir para realizar escolhas. E eu quero te ouvir por dentro desse texto. O que essa afirmação desperta em você?
Quando estive na gestão, havia um hábito que se repetia depois de reuniões decisivas. Eu dizia que precisava de 24 horas para pensar antes de responder. Com o tempo, percebi que não era apenas pensar. Era discernir. Distinguir o que era fato do que era emoção. Separar o que era impulso do que realmente sustentava uma boa decisão.
Nem sempre foi fácil. Houve momentos em que precisei de mais tempo. Porque escolher apenas pela razão pode endurecer. Escolher apenas pela emoção pode confundir. E, no meio disso, existe um espaço mais sutil, onde a clareza começa a aparecer quando a gente desacelera.
Eu aprendi que o distanciamento não é fuga. É estratégia. Quando a emoção do instante perde força, os fatos ganham contorno. E aquilo que parecia urgente começa a revelar o que, de fato, importa.
Existe uma passagem simbólica na Odisseia que me atravessa. Telêmaco dorme antes de tomar uma decisão importante. Ao acordar, segue orientações com mais clareza. Não porque a resposta surgiu magicamente, mas porque o descanso permitiu que algo se organizasse dentro dele.
Por isso, hoje eu não vejo o tempo como atraso. Vejo como parte da escolha.
Dormir não é desistir da decisão. É permitir que ela amadureça.
E talvez a provocação que fica seja essa: você tem decidido a partir do impulso do momento ou tem se dado o tempo necessário para realmente discernir o que está em jogo?



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