Contemplar é resistir ao automático
- espacostim

- 26 de fev.
- 2 min de leitura
Contemplar é um verbo que me é caro. Talvez porque, em um mundo que me empurra para a pressa, ele me convide a ficar. Ficar no aqui e agora. Ficar inteiro.
Quando penso nas diferentes manifestações artísticas, percebo o quanto todas carregam algo de efêmero. A pintura, a escultura, a dança, o teatro, a música, a literatura, o cinema, a fotografia, a arte digital. Hoje, quase tudo pode ser registrado, arquivado, reproduzido infinitamente. Podemos rever, pausar, ampliar. Podemos transformar o instante em acervo.
Mas será que eternizar é o mesmo que viver?
Existe uma magia que não se deixa capturar por nenhuma técnica de registro. Ela acontece na interação viva entre a obra e quem a observa. Não é sobre assistir. É sobre se permitir contemplar. É sobre atravessar a superfície e deixar que algo nos atravesse de volta.
Acredito que a conexão entre obra e observador se eterniza na memória de quem escolhe estar cem por cento presente. Eu me lembro, sem esforço algum, da emoção que senti ao ver Márcia Haydée dançando o Bolero de Ravel. Lembro também da força silenciosa de Madre Teresa de Calcutá ao lado das crianças do mundo, em momentos tão distintos de sua trajetória. Não recordo apenas das imagens. Recordo do que senti. E o que senti continua vivo.
É curioso como a arte me ensina sobre a vida. Cada encontro artístico é único, mesmo quando a obra se repete. Porque eu não sou a mesma. Porque o contexto não é o mesmo. Porque o instante nunca é o mesmo.
E se eu encarasse cada momento da minha vida como encaro um espetáculo que só acontece uma vez? E se eu decidisse estar inteira em cada conversa, em cada projeto, em cada silêncio? No Espaço Stim, penso muito sobre isso. Sobre como aprender, criar e inovar exige presença. Exige consciência. Exige disponibilidade para sentir, refletir e transformar.
Talvez contemplar seja um ato de resistência. Resistência ao automático. À distração constante. À ilusão de que sempre haverá outra chance igual.
Hoje eu te faço um convite simples e profundo. Que tal viver o próximo momento como se ele fosse uma obra de arte que só acontece agora?
Se tudo pode ser registrado, salvo e revisto, o que na sua vida só existe quando você está verdadeiramente presente?



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