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Ciclos da vida e o que você faz com a dor

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 20 de mar.
  • 2 min de leitura

“Sonhos de Trem” é um dos filmes mais sublimes que assisti nos últimos tempos. Não apenas pela história, mas pela forma como me colocou diante de algo que, no fundo, todos nós conhecemos, mas nem sempre temos coragem de encarar.

Hoje começa o outono no hemisfério sul. E é impossível não pensar na fotografia do filme, na forma como a natureza não é cenário, mas na presença viva. Ela acompanha, sustenta e, ao mesmo tempo, nos lembra de algo essencial. Tudo muda. Tudo passa. Tudo se transforma.

A vida do personagem Robert Grainier é simples na forma, mas profunda no que revela. Um homem comum, em um lugar inóspito, lidando com o que a vida traz. O trabalho, a família, o inesperado. E, sobretudo, as perdas.

A natureza está ali o tempo todo. Não como conforto fácil, mas como espelho. As folhas caem no outono. Os galhos secos no inverno. E a promessa silenciosa da primavera. Um ciclo que se repete, independente da nossa vontade.

E eu fico pensando sobre a coragem que existe em continuar. Não aquela coragem grandiosa que chama atenção, mas a que se manifesta no cotidiano. No levantar, no seguir, no reconstruir aos poucos. Mesmo quando a dor não vai embora.

Robert segue. Com o apoio de poucos, com silêncio e memória. Ele não nega o que sente, mas também não se paralisa. Ele existe dentro da própria dor, sem deixar de agir.

E isso me provoca.

Porque, em algum momento, todos nós atravessamos nossos próprios invernos. Nem sempre escolhemos o que perdemos. Nem sempre conseguimos explicar o que sentimos. Mas, ainda assim, seguimos.

Talvez a grande questão não seja evitar a dor, mas o que fazemos com ela enquanto ela nos atravessa.

Eu me pergunto, e deixo essa pergunta com você. Quando a vida te coloca diante das perdas, você está vivendo ou apenas sobrevivendo?




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