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Celebrar ou apenas passar?

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 4 de mai.
  • 2 min de leitura

Eu quero começar te perguntando algo simples, mas que talvez não seja tão fácil de responder. O que significa celebrar para você?

Recentemente, fui tocada por uma reflexão do historiador Dante Gallian, que conecta o conto O sonho de um homem ridículo, de Fiódor Dostoiévski, às jornadas de Telêmaco e Ulisses, na Odisseia. E, de alguma forma, tudo isso me levou a repensar o que eu chamava de celebração.

Sempre celebramos. Datas, encontros, conquistas. Mas será que celebrar é apenas isso? Ou existe algo mais silencioso e profundo acontecendo quando reconheço, de verdade, que estou vivo?

Eu tenho percebido que celebrar pode ser menos sobre ocasiões e mais sobre presença. Sobre sustentar a vida como ela é, sem enfeites excessivos, sem fugir do que é incômodo. Existe uma alegria que não depende de grandes acontecimentos, mas de uma espécie de lucidez. Uma alegria que nasce quando eu aceito a vida sem ilusões e, ainda assim, escolho vivê-la.

Mas não é simples. O tempo em que vivemos me empurra para outro lugar. Performance, velocidade, produtividade. Eu me vejo, muitas vezes, funcionando no automático, distante do agora. E talvez esse seja um dos sinais mais sutis de afastamento de mim mesma.

Quando passo a viver guiado pelo que esperam de mim, algo se perde. Eu deixo de escutar o que, de fato, pede passagem dentro de mim. E, aos poucos, me afasto do processo de me tornar quem posso ser.

Por isso, essa semana, eu te convido a observar com mais cuidado. Não apenas como você celebra, mas de onde nasce aquilo que você chama de celebração.

Porque talvez a questão não seja quantas vezes você comemora. Mas se, em algum momento, você realmente esteve presente no que viveu.

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