O que te sustenta quando tudo falta?
- espacostim

- há 2 dias
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Você tem irmãos? Eu tenho. Sou a quinta filha. Fui muito desejada pelos meus irmãos e pelos meus pais. Ainda assim, minha mãe se assustou ao descobrir a gravidez aos 40 anos. Hoje isso é comum, mas há mais de seis décadas não era. Dá para imaginar o impacto daquela notícia em toda a família. Como até então só havia uma filha mulher, a Sandra, todos torciam para que eu também fosse menina. E fui. Cheguei já envolvida por expectativa, cuidado e afeto. Recentemente viajei com essa minha irmã, que tem dez anos a mais do que eu e que, de muitas formas, também me criou. Durante a viagem, tivemos uma conversa daquelas que ficam. Falei da minha gratidão. Não apenas por ela, mas por todos os meus irmãos. Pelo cuidado, pela presença, pelos gestos que, muitas vezes, nem foram nomeados, mas foram sentidos. Nossa irmandade nos protegeu e continua nos protegendo. Nos ensinou a ser fortes sem endurecer, amorosos sem perder a individualidade, respeitosos mesmo nas diferenças. Crescemos aprendendo que amar também é conviver com o que não é igual. Lembrei da cena do filme Valor Sentimental em que duas irmãs conversam sobre o que permaneceu entre elas depois da ausência dos pais. Aquela presença silenciosa, mas constante, que ajudou a moldar quem elas se tornaram. Foi impossível não me reconhecer ali. É assim que me sinto em relação à minha família. Um sentimento profundo de gratidão. Por tudo o que foi, pelo que permanece e até pelo que nos transformou. E você, já parou para olhar para a sua história e entender o que, de fato, te sustenta hoje?



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