O que o silêncio pode ensinar sobre o amor
- espacostim

- 11 de ago. de 2025
- 1 min de leitura
Quem já ouviu a frase: “Não basta ser pai, tem que participar”?
Meu pai foi um homem muito especial. Aos 44 anos, por uma combinação de fatores genéticos e um ritmo de vida cheio de demandas, ele teve um Acidente Vascular Cerebral isquêmico. O lado esquerdo do corpo perdeu parte da mobilidade e a fala nunca mais foi a mesma.
Mesmo assim, ele sempre se comunicou comigo e com todos. Seu olhar dizia muito. Eu sabia quando ele estava feliz, quando se preocupava, quando precisava de algo. A rotina dele era simples, mas cheia de vida: acordar cedo, fazer o café, caminhar, cuidar da horta e do jardim.
Acredito que foi esse estilo de vida — somado ao cuidado incansável da minha mãe — que manteve sua saúde pelos 38 anos seguintes. Eu tinha apenas 4 anos quando ele adoeceu. Desde então, passamos muito tempo juntos: assistindo TV, folheando livros (primeiro vendo as figuras, depois lendo sozinha), caminhando lado a lado e jogando cartas.
Nunca tive dúvidas de que era uma filha amada e cuidada. Nossa relação, feita de silêncios, olhares e cumplicidade, foi também um espelho para que eu aprendesse sobre mim mesma.
Às vezes, penso que o amor não precisa de tantas palavras para ser entendido. Será que, no fundo, o silêncio também fala — e a gente é que precisa aprender a escutar?



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