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A coragem de viver sem máscaras

  • Foto do escritor: espacostim
    espacostim
  • 11 de fev.
  • 1 min de leitura

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:


Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”


Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.


E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” 


Olhei para cima, para vê-lo. O Sol beijou pela primeira vez minha face nua.


Pela primeira vez, o Sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo Sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”


Assim me tornei louco.


E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.” 


Este texto é do célebre escritor libanês Gibran Khalil Gibran, publicado em 1918.


E o que posso te dizer, à luz dele? Permita-se retirar as máscaras. Permita que o Sol beije a sua face.




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