A arte esquecida de conversar
- espacostim

- 6 de mai.
- 2 min de leitura
Eu fico pensando no quanto a palavra nos constitui. Somos animais dotados da palavra, e isso não é pouco. O que surge em você quando escuta essa ideia?
Antes mesmo da escrita, tudo o que era vivido virava narrativa. A conversa sempre foi um lugar de encontro. Só que hoje, em meio a posições rígidas e respostas rápidas, conversar virou quase um desafio. A tensão entra antes da escuta.
E então eu me vejo revisitando o meu próprio vocabulário. Quantas palavras eu uso no automático, sem perceber o peso que carregam? Quantas vezes deixo de ajustar o tom, de buscar a medida certa entre dizer e ouvir? Conversar também é isso. É lapidar a forma como me coloco no mundo.
Porque o diálogo não é só troca de ideias. É a expressão de quem eu sou, a construção de uma memória, de um vínculo. E talvez por isso pese tanto quando a fala não encontra coerência nas ações. Quando o que digo não sustenta o que faço, algo se rompe.
Também percebo como falar sobre sentimentos tem se tornado difícil. A pressa, o excesso, a busca por algo que nem sempre sei nomear acabam roubando o espaço do encontro. Aquela conversa leve, sem objetivo definido, ou mesmo aquela mais profunda, que exige presença de verdade.
Às vezes, retomar esse espaço é mais simples do que parece. Eu marco um encontro, puxo uma pergunta sincera, escuto de fato. Falo do que me atravessa, mas também do que me sustenta. Sem ficar preso apenas às queixas, mas sem fugir do que é real.
E então eu me pergunto, quase em silêncio, quando foi a última vez que você realmente esteve em uma conversa sem querer sair dela?



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